sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Um desastre anunciado

Em junho de 1997, publiquei este pequeno artigo no Correio de Natal sobre o primeiro grande escândalo do PT, envolvendo licitações no interior se São Paulo. Nele, eu prevejo que as consequências da escolha do partido sobre o que fazer com a denúncia poderiam "ser desastrosas para o futuro do partido". Eu não poderia estar mais certo. O artigo foi republicado pela coluna Portfolio, do Jornal de Hoje, em julho de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão.

PT, saudações?

E de repente mais um adolescente de 17 anos ganha as manchetes de todos os jornais do país. Desta vez não se trata de nenhuma queima de índio ou do atropelamento e fuga de um filho de ministro. Desta vez o adolescente infrator nem mesmo é uma pessoa física, trata-se de uma ficção jurídica. É um partido político, o Partido dos Trabalhadores.

Apanhado de calças curtas pelo oportuníssimo (para FHC e Serjão) estouro de um escândalo envolvendo algumas de suas prefeituras, o PT reagiu como qualquer adolescente assustado reagiria: de maneira confusa e contraditória, com declarações precipitadas e desmentidos tardios. Pela primeira vez o partido enfrenta uma verdadeira prova de fogo.

Mas o que há de tão grave em mais um escândalo público nesse país movido a propinas, gravações e subornos? Apenas duas letras: PT. O partido, talvez o primeiro no Brasil a merecer esse nome, sempre teve fundações sólidas na ética e no comportamento político coerente. Mesmo os seus mais ardorosos inimigos admitem isso. Portanto, ao PT, como à mulher de César, não basta apenas ser honesto.

De outras vezes o partido teve seu nome envolvido em maracutaias, mas que nunca atingiram a instituição em si. Agora, no entanto, a denúncia é intestina, vem de um quadro partidário respeitado e aponta para Lula, que, queiram ou não queiram, continua sendo a parte mais visível do PT. As conseqüências desse imbróglio podem ser desastrosas para o futuro do partido.

O PT já admitiu que só tem uma saída, que é a apuração transparente e rigorosa (epa!) das acusações. Apuração e punição dos culpados, se houver. Mesmo que isso signifique a imolação do próprio Lula, sua estrela mais brilhante. O que advirá das cinzas de tal fogo purificador só Deus sabe, mas sem ele o partido corre o risco de ver sua imagem jogada na vala comum do fisiologismo político. Seria um triste fim para um adolescente tão promissor.

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