Eu só desejo uma coisa desse povo que cria nossas maravilhas high tech: um gravador de pensamentos.
Sim, dispenso o teletransporte que me permita passar o fim de semana em Tóquio e até a máquina que me leve de volta ao passado, para visitar a Barreiras da minha adolescência, mas o gravador de pensamentos, eu preciso.
O fato é que costumo escrever textos enormes na minha cabeça --bem estruturados, instigantes, bem informados--, nas horas mais impróprias. São contos ou memoirs, ensaios políticos, textos humorísticos ou seções inteiras da minha dissertação de mestrado. Coisas que eu penso na hora: É isso. Exatamente assim. Tá perfeito, mas que são "escritos" debaixo do chuveiro, sentado no vaso ou ao volante do carro. E então, quando enfim posso sentar diante do netbook, conexões devidamente feitas, Google Docs aberto, puf. Sumiu.
Não é que sumiu tudo, sumiu aquele texto perfeito. Eu consigo recordar as ideias, o encadeamento e tal, mas na hora de digitar, sai um emaranhado de sentenças feias, sem a beleza argumentativa do texto anterior, sem les mots justes.
É por isso que eu preciso que Steve Jobs, esteja onde estiver, inspire seus meninos a criarem o gravador de pensamentos. Nem precisa do recurso speech-to-text, eu me encarrego de degravar o texto, sem problemas.
Mas, por favor, em nome de tudo o que já escrevi e desceu pelo ralo ou com a descarga, de todo escrito que já saiu voando pelas janelas do meu carro, alguém me crie um gravador de pensamentos!
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terça-feira, 20 de setembro de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Rejeição
Ofereci um dos meus primeiros contos postados no Medium para uma publicação literária na plataforma. Uma semana depois recebi um lacônico email de rejeição, O editor explicava que, apesar daquela ser a melhor peça de minha autoria que ele tinha lido, ela continha "muitos, muitos problemas" de parágrafos, pontuação e ritmo. Era uma ideia boa desperdiçada com uma má execução e não atendia os critérios mínimos da publicação.
Eu poderia ter defendido meu trabalho e justificado o que o editor chamou de "muitos problemas de parágrafos e pontuação", mas preferi aceitar a crítica.
Me senti como Moacir Scliar, quando o canadense Yann Martel (autor de Life of Pi) confessou que tinha aproveitado a ideia de Scliar em Max e os felinos, porque achou que era uma boa ideia desperdiçada com uma má execução. Afinal, o canadense devia estar certo, pois foi ele que foi premiado e ganhou milhões com a adaptação do romance para o cinema.
Resta-me o consolo de saber que Life of Pi foi rejeitado por cinco editoras de Londres antes de ser publicado no Canadá.
Eu poderia ter defendido meu trabalho e justificado o que o editor chamou de "muitos problemas de parágrafos e pontuação", mas preferi aceitar a crítica.
Me senti como Moacir Scliar, quando o canadense Yann Martel (autor de Life of Pi) confessou que tinha aproveitado a ideia de Scliar em Max e os felinos, porque achou que era uma boa ideia desperdiçada com uma má execução. Afinal, o canadense devia estar certo, pois foi ele que foi premiado e ganhou milhões com a adaptação do romance para o cinema.
Resta-me o consolo de saber que Life of Pi foi rejeitado por cinco editoras de Londres antes de ser publicado no Canadá.
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